Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto.
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
Eu gosto é do estrago.
A verdade é que minto.
Minto muito.
Não importa.
Sou um mentiroso.
Vou mentir, sempre.
Mentir sobre tudo.
Sobre as coisas que fiz;
Sobre as coisas que não fiz;
Para fingir que vivi.
(A verdade é que morri)
Nasci agora,
Morri agora.
Novamente.
Menti.
Esqueça.
Vou mentir e continuar a mentir.
Se nada que disse foi verdade, como acreditar que não estou a mentir novamente?
Mas o que? O que você disse?
Também não importa.
Não minto por você, minto por mim.
Ah, como é bela a mentira.
Tão bela quanto Monte Carlos.
Brinquedos rosa, lençois rosa, vestidos rosa.
“É uma menina”. Viva! Alegria para papai e mamãe.
Azul?
Espere, paremos por alguns segundos. Sem pressa, leitor. Acalme-se, você já irá compreender.
Por que menina, doutor?
Por que rosa, mamãe?
Hum..
Pai, se você sofresse um acidente e perdesse seu pênis, você ainda seria um homem?
Sim?
Por que rosa então?
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